Você se mantém viva até quando lhe convém, inteira até que não te tirem algo, respira até o momento em que não te falta ar nos pulmões, ama até o momento em que o coração suporta a dor.
Entende-se pela vida uma experiência breve pela qual todos os mortais passam, o tempo é relativo para cada indivíduo: uns defendem que é pequeno demais, outros que é sob medida, mas prefiro a minha teoria, de que a vida é muito longa quando as coisas não vão tão bem, e muito curta quando os momentos de felicidade passam a ser frequentes.
A felicidade faz o tempo escorrer pelas mãos, quer-se mais e mais, porque todo momento é pouco quando se sabe que pode ser vivido intensamente, ou melhor, quando se tem vontade de vivê-lo milhares de vezes. Para os que sofrem com as ironias e peças pregadas pelo destino, o tempo é só traiçoeiro.
É como se você corresse milhas e milhas para chegar a lugar algum, chega a lembrar um oásis no deserto, mas quando se aproxima você se dá conta que é só uma miragem, e ninguém vive de miragem, nem tampouco de ilusão. O sonho não alimenta, não ama nem protege, é só um projeto inacabado do que se quer viver, é só rascunho.
Conheço pessoas que são conformadas demais com as situações, isso causa revolta e inveja em mim... Por que não tenho todo esse sangue frio de aceitar? É fácil, é simplesmente acreditar que não há solução, e por assim deixar. O problema é que tenho a doença dos sonhadores e por isso ainda encontro onde me apoiar... mesmo que esse sustentáculo seja tão ou menos sólido que eu, ainda que corra o risco de desabar antes de mim.
É, não me agrada a realidade, logo, tenho medo do que não me agrada, por ser simplesmente metódica ou arrogante demais para aceitar a forma como as coisas costumam vir.
Seria quase que bem resolvida se o tempo agisse do meu jeito, se as pessoas pensassem do modo como eu penso, se os sentimentos fossem recíprocos, se o modo de amar fosse igual.
À noite com a cabeça coberta pelo travesseiro não sou mais essa que escreveu tais linhas acima, iimpaciente por não entender os motivos do mundo, por não aceitar que certos momentos e sentimentos não se permitam ser vividos, por não aceitar que as pessoas se achem no direito de tentar mudar a vida dos outros.
Essa sou eu, uma eterna inconformada com a vida, com o mundo e com as pessoas. Tudo isso porque, quero sempre mais e melhor, quero a felicidade e a bondade, quero o essencial e também o supérfluo, quero planejar, mas quero ser surpreendida, e acima de tudo, quero ainda amar e ser correspondida.
Depois de longa ausência e muita saudade, a fase da displicência passou. A palavra da vez é disciplina! As coisas estão se arrumando e a vida anda uma maravilha, o que confesso, me assusta um pouco.
A praia, o sol, o vento e as companhias, assim como me sugam, me dão ânimo e energia para viver intensamente cada momento dessa vida passageira.
E mais uma vez, vou colocar aqui uma música que amo e acredito muito: Tempos modernos, do Lulu Santos:
Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima de um muro
De hipocrisia
Que insiste em nos rodear
Eu vejo a vida mais clara e farta
Repleta de toda satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão
Eu quero crer no amor numa boa
Que isso valha pra qualquer pessoa
Que realizar
A força que tem uma paixão
Eu vejo um novo começo de era
De gente fina elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim do que não
Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo que volte amor
Vamos viver tudo o que há pra viver
Vamos nos permitir
.
Beijos meus queridos,
vou ler vocês.

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