Faz tempo que não escrevo, e não
é falta de inspiração, nem mesmo de assunto, foi opcional!
Vou citar Caio F. Abreu pra contextualizar: dia desses, do nada...
“... acabei me
deparando com o que costumo chamar de “decepção” ou “tapa na cara”. Sabe aquela
escorregada que você precisa dar pra aprender a levantar? Então, é disso que estou
falando...”
Pois é,
e quando se está imersa numa situação como essas, acho que o melhor que se tem
a fazer é esperar a poeira baixar, porque a vontade que tenho é de escrever, falar,
botar pra fora tudo que está me sufocando, mas, depois, penso que posso me
arrepender, e não ter mais como voltar atrás, afinal, vive-se num mundo em que
palavras machucam mais do que um tapa na cara. A linguagem pela qual tanto
prezamos torna-se uma arma de fogo e queima, matando, deprimindo, ofendendo e
causando estragos irreversíveis. Já dizia Cecília Meireles “ai palavras, ai
palavras, que estranha potência a vossa”...
Mas
escrever é um ato tão livre, e pra mim, tão necessário, que não me contenho.
Não escrevo para ser lida, escrevo para aliviar, dividir, e, claro, tentar
execrar o que está me fazendo mal.
Estive
muito decepcionada com as pessoas, chateada, surpresa, tudo que se pode dizer
sobre: EU NÃO ESPERAVA ISSO DE VOCÊ!
Claro, a
gente sempre espera o melhor dos outros, afinal, acabamos nos doando às pessoas
e esperamos reciprocidade. ‘Ledo’ engano. Quando menos se espera, acabou o
amor, acabou a amizade, acabou a cumplicidade, acabou a consideração e ponto,
não há como reverter.
Isso é
muito estranho.
Imersa
nesse problema todo, vez ou outra precisei chorar pra aliviar a dor que estava
sentindo, e chorei, me permiti chorar e xingar, e ficar triste, e revoltada; também
sou humana e erro o tempo todo, mas passou, cansei, já chega! Não gosto que as
pessoas sintam pena de mim, aliás, pena é um sentimento inútil, não te ajuda,
nem acrescenta, é perda de tempo sentir.
No meio da
confusão, sempre tem aquela pessoa que num momento como esse te surpreende, transcende
o que se define como amizade, se supera e te faz ver o mundo com outros olhos.
Tenho amigos, sei que tenho.
Numa
dessas, em uma conversa triste pelo telefone, aquele teu amigo querido, que te
conhece muito bem diz: Você não tá bem, chego à sua casa em 5 minutos! Chegando
lá te coloca dentro do carro à meia-noite, põe uma música bem alta para que
você não tenha o que questionar sobre para onde está sendo levado e canta,
canta bem alto te permitindo colocar pra fora tudo que você está sentindo.
Chorei, chorei várias vezes durante o trajeto e ele continuava cantando como se
eu não estivesse ali. Chegamos a uma praia linda, e senti a areia fria sob meus
pés gelados, e chorei de novo, sem ouvir sequer uma palavra. O vento estava
muito forte, as canoinhas balançavam pra lá e pra cá, eu via luzes distantes e
a única coisa que eu ouvia era o som do silêncio, que foi quebrado quando
percebi o coaxar de um sapo que já estava ali, há tempos e eu não havia notado.
Não parecia que minha alma estava ali. O choro cessou e senti um abraço. Um
abraço mudo, que me protegeu de mim mesma e de meus pensamentos. Aquele abraço
me trouxe de volta ao mundo, me entrelaçou de uma forma tão carinhosa, que eu
achei que poderia adormecer ali. Me senti salva, e mergulhada naquele silêncio
senti uma sacudida, sabe aquela coisa da ficha caindo, pois é. Naquele momento,
na quinta-feira passada, por volta das 1:35h da manhã, senti que meus pés
tocavam novamente o chão, e que mesmo não entrando na água, senti que minha
alma estava lavada, que meu corpo já respondia e que meus pés precisavam voltar
a caminhar.
A volta
pra casa foi do mesmo jeito, silenciosa de nossa parte, mas com alguma troca de
carinho. Ouvia-se música alta e consegui apreciar a paisagem escura.
Ao
chegar em casa adormeci imediatamente, parecia anestesiada, indiferente a todo
problema que me cercava.
Acordei
com outra cara, outra cabeça e outros pensamentos. Tenho sido indiferente, não
me importando se a casa tá caindo ou se o mundo está acabando. Deve-se viver.
Deve-se agradecer por esses anjos que Deus nos envia em forma de amigos. Sou
tão grata. São com atitudes como essa que se passa a crer novamente nas
pessoas, nas suas boas intenções, e na bondade que existe nos corações. É com o
que estou me mantendo; optei por apreciar o que as pessoas têm de bom para
compartilhar, e algumas, não sei como, têm o dom de extrair o que
há de melhor em mim.
As
nuvens escuras estão passando, já consigo ver com certa nitidez o que antes era
incompreensível. Como em tudo que passa, há algo que fica, fica aqui a minha
lição de vida, de que ela continua, de que somos fortes o suficiente para
levantar a cada queda, que sempre vai ter alguém pra nos dar a mão no momento
mais difícil.
A
decepção fica sim, mas fica também a certeza de que nunca mais serei a mesma.
Somos seres em construção, e esses pedaços que ficam machucados têm o poder de
revigorar-se e nos fazer mais fortes. Claro que não vou ver isso agora, mas o
tempo vai passar e as cicatrizes vão estar ali, sempre para me lembrar de que a
gente sobrevive às “tragédias gregas”, muitas vezes intensificadas por nós
mesmos, afinal, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é",
e só a gente sabe...
e só a gente sabe...
Vida que
segue!
2 comentários:
Pode pensar que não, mas sei em parte o que você passou.
Por sorte aparentemente você possui um anjo em sua vida (amigo) que te fez ver outro lado da vida.
Tem horas que é F&¨%%....e é melhor até se ausentar, porque se não a gente acaba fazendo besteira.
Mas as pessoas decepcionam mesmo...
Um bom final de semana.
"cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é" :))
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