segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Não tenho inspiração. Escrevo o que a vida me dá.






Faz tempo que não escrevo, e não é falta de inspiração, nem mesmo de assunto, foi  opcional!

Vou citar Caio F. Abreu pra contextualizar: dia desses, do nada...

“... acabei me deparando com o que costumo chamar de “decepção” ou “tapa na cara”. Sabe aquela escorregada que você precisa dar pra aprender a levantar? Então, é disso que estou falando...” 

Pois é, e quando se está imersa numa situação como essas, acho que o melhor que se tem a fazer é esperar a poeira baixar, porque a vontade que tenho é de escrever, falar, botar pra fora tudo que está me sufocando, mas, depois, penso que posso me arrepender, e não ter mais como voltar atrás, afinal, vive-se num mundo em que palavras machucam mais do que um tapa na cara. A linguagem pela qual tanto prezamos torna-se uma arma de fogo e queima, matando, deprimindo, ofendendo e causando estragos irreversíveis. Já dizia Cecília Meireles “ai palavras, ai palavras, que estranha potência a vossa”...  

Mas escrever é um ato tão livre, e pra mim, tão necessário, que não me contenho. Não escrevo para ser lida, escrevo para aliviar, dividir, e, claro, tentar execrar o que está me fazendo mal. 

Estive muito decepcionada com as pessoas, chateada, surpresa, tudo que se pode dizer sobre: EU NÃO ESPERAVA ISSO DE VOCÊ!
Claro, a gente sempre espera o melhor dos outros, afinal, acabamos nos doando às pessoas e esperamos reciprocidade. ‘Ledo’ engano. Quando menos se espera, acabou o amor, acabou a amizade, acabou a cumplicidade, acabou a consideração e ponto, não há como reverter.

Isso é muito estranho. 

Imersa nesse problema todo, vez ou outra precisei chorar pra aliviar a dor que estava sentindo, e chorei, me permiti chorar e xingar, e ficar triste, e revoltada; também sou humana e erro o tempo todo, mas passou, cansei, já chega! Não gosto que as pessoas sintam pena de mim, aliás, pena é um sentimento inútil, não te ajuda, nem acrescenta, é perda de tempo sentir.

No meio da confusão, sempre tem aquela pessoa que num momento como esse te surpreende, transcende o que se define como amizade, se supera e te faz ver o mundo com outros olhos. Tenho amigos, sei que tenho.  

Numa dessas, em uma conversa triste pelo telefone, aquele teu amigo querido, que te conhece muito bem diz: Você não tá bem, chego à sua casa em 5 minutos! Chegando lá te coloca dentro do carro à meia-noite, põe uma música bem alta para que você não tenha o que questionar sobre para onde está sendo levado e canta, canta bem alto te permitindo colocar pra fora tudo que você está sentindo. Chorei, chorei várias vezes durante o trajeto e ele continuava cantando como se eu não estivesse ali. Chegamos a uma praia linda, e senti a areia fria sob meus pés gelados, e chorei de novo, sem ouvir sequer uma palavra. O vento estava muito forte, as canoinhas balançavam pra lá e pra cá, eu via luzes distantes e a única coisa que eu ouvia era o som do silêncio, que foi quebrado quando percebi o coaxar de um sapo que já estava ali, há tempos e eu não havia notado. Não parecia que minha alma estava ali. O choro cessou e senti um abraço. Um abraço mudo, que me protegeu de mim mesma e de meus pensamentos. Aquele abraço me trouxe de volta ao mundo, me entrelaçou de uma forma tão carinhosa, que eu achei que poderia adormecer ali. Me senti salva, e mergulhada naquele silêncio senti uma sacudida, sabe aquela coisa da ficha caindo, pois é. Naquele momento, na quinta-feira passada, por volta das 1:35h da manhã, senti que meus pés tocavam novamente o chão, e que mesmo não entrando na água, senti que minha alma estava lavada, que meu corpo já respondia e que meus pés precisavam voltar a caminhar.

A volta pra casa foi do mesmo jeito, silenciosa de nossa parte, mas com alguma troca de carinho. Ouvia-se música alta e consegui apreciar a paisagem escura.
Ao chegar em casa adormeci imediatamente, parecia anestesiada, indiferente a todo problema que me cercava. 

Acordei com outra cara, outra cabeça e outros pensamentos. Tenho sido indiferente, não me importando se a casa tá caindo ou se o mundo está acabando. Deve-se viver. Deve-se agradecer por esses anjos que Deus nos envia em forma de amigos. Sou tão grata. São com atitudes como essa que se passa a crer novamente nas pessoas, nas suas boas intenções, e na bondade que existe nos corações. É com o que estou me mantendo; optei por apreciar o que as pessoas têm de bom para compartilhar, e algumas, não sei como, têm o dom de extrair o que há de melhor em mim. 

As nuvens escuras estão passando, já consigo ver com certa nitidez o que antes era incompreensível. Como em tudo que passa, há algo que fica, fica aqui a minha lição de vida, de que ela continua, de que somos fortes o suficiente para levantar a cada queda, que sempre vai ter alguém pra nos dar a mão no momento mais difícil. 

A decepção fica sim, mas fica também a certeza de que nunca mais serei a mesma. Somos seres em construção, e esses pedaços que ficam machucados têm o poder de revigorar-se e nos fazer mais fortes. Claro que não vou ver isso agora, mas o tempo vai passar e as cicatrizes vão estar ali, sempre para me lembrar de que a gente sobrevive às “tragédias gregas”, muitas vezes intensificadas por nós mesmos, afinal, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", 

e só a gente sabe...

Vida que segue!

2 comentários:

Ordem do Saber disse...

Pode pensar que não, mas sei em parte o que você passou.
Por sorte aparentemente você possui um anjo em sua vida (amigo) que te fez ver outro lado da vida.
Tem horas que é F&¨%%....e é melhor até se ausentar, porque se não a gente acaba fazendo besteira.

Mas as pessoas decepcionam mesmo...

Um bom final de semana.

waterfall disse...

"cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é" :))